quarta-feira, outubro 12, 2016

Tá na hora, tá na hora! Tá na hora de brincar!



Por que brincar é tão importante para o desenvolvimento infantil?



A criança é inteligente de natureza. Ela é curiosa, está sempre com vontade de aprender, pois está em um período de desenvolvimento físico e mental, rápido e intenso, na descoberta do mundo. A capacidade perceptiva e a inteligência são percebidas nos bebês, desde o primeiro momento. Tudo é novo e fascinante, como um parque de diversões. Todo seu corpo é usado para o conhecimento, pés, mãos, olhos, boca, tudo é usado para explorar e experimentar. O cérebro armazena todas as sensações, que vão sendo associadas com as palavras. Elas ficam atentas a tudo que acontece a sua volta, observam e gostam de imitar os adultos. Suas ideias são formadas pelo que ouvem e vêem. Na infância o indivíduo aprende a lidar com as diversas situações do dia-a-dia: reagir e defender, errar e acertar, o sim e o não, medo, ansiedade, dividir, compartilhar etc.

Todo estímulo e orientação que a criança recebe contribuem para o seu desenvolvimento. A criança aprende brincando, assim desenvolve suas habilidades e compreende o funcionamento dos objetos. Brincando amplia a sua visão de mundo, constrói seu conhecimento, desenvolve o emocional.

Brincando, a criança desenvolve suas potencialidades, como também trabalha com suas limitações, com as habilidades sociais, afetivas, cognitivas e físicas. O brincar é ainda uma forma de expressão e comunicação consigo, com o outro e com o meio. A brincadeira é considerada uma atividade universal que assume características peculiares no contexto social, histórico e cultural. A criança brincando, imita a realidade, onde tudo é transformado em fantasia, dominando a linguagem simbólica. Ela busca imitar, imaginar, representar. Há o desenvolvimento cognitivo e social, assumindo papéis significativos. Escolhem com quem querem brincar, criando vínculos afetivos, compartilhando, emprestando, respeitando o próximo.

Segundo consta no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. É uma necessidade que toda criança tem. Faz parte do seu cotidiano. 

O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. A diferenciação de papéis se faz presente, sobretudo no faz-de-conta, quando as crianças brincam como se fossem o pai, a mãe, o filhinho, o médico, o paciente, heróis e vilões etc., imitando e recriando personagens observados ou imaginados nas suas vivências. A fantasia e a imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro. 

Ao brincar de faz-de-conta, as crianças buscam imitar, imaginar, representar e comunicar de uma forma específica que uma coisa pode ser outra, que uma pessoa pode ser uma personagem, que uma criança pode ser um objeto ou um animal, que um lugar “faz-de-conta” que é outro. 

Brincar é, assim, um espaço no qual se pode observar a coordenação das experiências prévias das crianças e aquilo que os objetos manipulados sugerem ou provocam no momento presente. Pela repetição daquilo que já conhecem, utilizando a ativação da memória, atualizam seus conhecimentos prévios, ampliando-os e transformando-os por meio da criação de uma situação imaginária nova. Também tornam-se autoras de seus papéis, escolhendo, elaborando e colocando em prática suas fantasias e conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo pensar e solucionar problemas de forma livre das pressões situacionais da realidade imediata.

Além da imitação e do faz-de-conta, a oposição é outro recurso fundamental no processo de construção do sujeito. Opor-se, significa, em certo sentido, diferenciar-se do outro, afirmar o seu ponto de vista, os seus desejos. A observação das interações infantis sugere que são diversos os temas de oposição, por exemplo, disputa por um mesmo brinquedo, briga por causa de um lugar específico, entre outros. Esses momentos desempenham um papel importante na diferenciação e afirmação do eu. 

O brinquedo é um objeto facilitador do desenvolvimento das atividades lúdicas, podendo ser utilizado em diferentes contextos, tais como, no brincar espontâneo, no momento terapêutico e no pedagógico. Na brincadeira a criança representa, cria, usa o faz de conta para entender a realidade que a cerca e vive o momento.

 “A brincadeira favorece a auto-estima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa.”                                                                        (Referencial Curricular Nacional)

Reunimos algumas recomendações de especialistas sobre as brincadeiras mais adequadas para cada faixa etária. O desenvolvimento infantil é individual, mas as crianças passam, cada uma a seu tempo, pelas fases abaixo. Todas as atividades devem ser desenvolvidas sob supervisão de um adulto e nos ambientes adequados.

  • Até os 2 anos
Nesta fase, a brincadeira tem que estimular os sentidos. São curiosas e tem interesse por tudo!

Atividades relacionadas ao período sensório-motor: Correr, puxar carrinhos, escalar objetos, jogar com bolinhas de pelúcia são atividades recomendadas.
  • 3 a 4 anos
Começam as brincadeiras de faz de conta. As crianças respondem a brincadeiras de casinha, de trânsito, de escolinha e de outras atividades cotidianas.

Atividades que estimulem a leitura, com histórias, com desenhos, objetos variados, com perguntas e respostas, brincadeiras com ou sem regras simples, jogos diversos.
Nessa fase são ativas, imitadoras, às vezes tímidas e sensíveis. 
  • 5 a 6 anos
Os jogos motores (de movimento) e os de representação (faz de conta) continuam e se aprimoram. Surgem os jogos coletivos, de campo ou de mesa: jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.

Nessa fase as crianças são questionadoras, amigáveis, confiantes, interessadas e mais concentradas.



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